Saber&Saúde



Novos cursos ampliam atuação no ensino em saúde

A FSP inicia 2003 com três novos cursos de extensão: Radiologia Industrial, Radioterapia e Medicina Nuclear (veja Calendário, na contracapa). Os cursos de extensão foram instituídos com o objetivo de aprofundar conhecimentos específicos de cada segmento. A FSP expande atividades na formação de profissionais de outras especialidades da saúde. “A ampliação é possível uma vez que a qualidade de ensino na área está vinculada ao nome da instituição”, justifica a diretora, profa. Vera Duarte. Exemplo disso é que em outubro do ano passado foi criada a primeira turma do curso Técnico em Administração: Gestão em Saúde. Para atender solicitação de residentes no interior do Estado e em Santa Catarina, interessados no Curso Técnico em Radiologia, há turmas de final de semana.As aulas são ministradas nas sextas-feiras à noite e durante o sábado, por dois anos e meio. A carga horária é a mesma do curso regular e nova turma abre a cada dois anos.


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Alunos da primeira turma do Técnico de Radiologia de final de semana, na solenidade de formatura no último dia 5 de dezembro, na sede da Associação Médica do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre.


Presidente da Fundação Saint Pastous,
Dr. Dakir Duarte

A escolha profissional ocorre das mais distintas maneiras. No caso do médico, especialista em Radiologia, presidente da Serdil e diretor-presidente da FSP, Dakir Lourenço Duarte, o encanto pela Medicina foi despertado aos oito anos. Na época sofreu fratura complexa de antebraço e foi hospitalizado.As qualidades humanas e a segurança que inspirava seu médico despertaram-lhe a admiração pelo profissional e pelas atividades por ele desempenhadas, por mais doloroso que fosse o tratamento. O fascínio foi tanto que deixou a cidade natal, Vacaria, no quarto ano do ginásio, para estudar no Colégio Anchieta.

 Ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), em 1950. No quinto ano acadêmico, estagiou no Hospital de Clínicas de São Paulo, por meio de convênio entre as duas instituições, durante dois meses. 
Foi quando Dr. Dakir viu a importância da Radiologia convencional e de urgência. No retorno à capital gaúcha, estagiou no serviço de Radiologia da Santa Casa, onde depois realizou a residência médica. Por não existirem cursos de especialização em sua área de interesse, viajou à Noruega e Suécia em busca de complemento para a formação. 
Ele diz não saber exatamente os motivos exatos que o levaram a optar pela especialidade. “Acho que é vocação e também fui aproveitando oportunidades que surgiam.” 
“A Radiologia é a base do diagnóstico, é o que há de mais moderno na Medicina, desde o século passado”, conta.

Selo de Qualidade

Em 1992, o Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR) instituia certificado de qualidade em Radiologia de mama, conferido a clínicas e hospitais que estivessem dentro de padrões pré-estabelecidos. Os interessados cadastram-se no programa, enviam dosímetros – analisados pela Comissão Nacional de Energia Nuclear – e imagens clínicas com laudos. O responsável por emitir os laudos também se submete a exame – realizado por profissionais especializados –, com questionamentos teóricos e interpretação de dez casos específicos. Quando uma instituição não atinge grau mínimo para a certificação, recebe relatório especificando as correções necessárias. Após realizados os ajustes, pode submeter-se a nova avaliação.
O projeto permite desenvolvimento rápido na área da mama. Hoje há programas de qualidade em Ressonância Magnética, Ultrassonografia e Densitometria Óssea. O médico radiologista Rodrigo Dias Duarte, diretor científico da FSP, explica que o selo é fundamental para diferenciar profissionais qualificados dos demais. Além de ser a garantia de que o paciente não sofrerá riscos e que os objetivos do exame serão alcançados. Dr. Rodrigo lembra que os programas de qualidade têm trazido otimização dos resultados dos exames e que, apesar de não serem obrigatórios, a tendência natural é a de que venham a ser.


Palavra da Diretora

A Fundação Saint Pastous está crescendo. Com zelo pelos seus valores, com zelo pelas pessoas que dela fazem parte. É com alegria e orgulho que lança o seu jornal. Veículo para informar sobre seus projetos, relatar suas conquistas, divulgar quem são e o que fazem seus colaboradores. A intenção também é estimular alunos, professores, funcionários a “pensar grande”, “criar o sonho”, co­locar energia e determinação para “chegar lá”. A FSP é uma grande equipe, todos são importantes. É na troca, no esforço e no amor que se constrói este espaço de desenvolvimento de idéias e de pessoas que desejam mais conhecimento, mais qualificação para dignificarem a si e ao mundo.
Profa. Vera Lucia Dias Duarte


Prof. Vera Lucia Dias Duarte


Técnico em Radiologia Adriano Silva

Esforço e dedicação, aliados ao equilíbrio emocional, são características fundamentais para atingir êxito profissional, acredita o técnico em radiologia, professor em técnica radiológica e membro da comissão de estágio da FSP, Adriano Lima e Silva. Antes de optar pela Radiologia, o técnico trabalhou em diversas atividades profissionais. Em 1993, decidiu por fazer curso de auxiliar de Enfermagem. O conta­to com a área da saúde evidenciou a afinidade com o segmento. No momento em que desenvolvia estágio em Enfermagem, ingressou no Curso de Técnico em Radiologia da FSP. Antes mesmo do estágio obrigatório, realizou estágio voluntário em Radiologia Geral, na Serdil. Em 1996, tornou-se auxiliar de Radiologia, na própria Clínica.

 Após a formatura, devidamente habilitado, passou a ser um dos técnicos da empresa. No mesmo ano foi contratado pelo Hospital São Lucas. Em 1998, paralelamente aos outros empregos, trabalhou no Centro de Imagem do Hospital Moinhos de Vento. Em 2000 passou no concurso para o Hospital Conceição, onde atuou em Medicina Nuclear. Passados quatro meses foi aprovado para atuar na Radiologia Geral e Tomografia do Hospital de Pronto Socorro. No mesmo ano, voltou para a FSP, dessa vez para lecionar e, por querer voltar a estudar, desligou-se da Serdil. Por considerar importante a busca por aprimoramento, em 2002 ini­ciou o curso de Biologia na Unilassale. Para ele, “tentar ser o melhor já é uma vitória.”

Fundação faz história na Radiologia no Estado

Em 24 séculos e meio, a Medicina evoluiu de forma bastante lenta. No final do século XIX, em 1895, a Radiologia foi descoberta, provocando mudança no desenvolvimento de diagnósticos. Em menos de cem anos, as transformações dessa área atingiram dimensões inimagináveis. “Hoje podemos ver lesões dentro de qualquer ponto do corpo humano, dois, três e até oito anos antes que ela se manifeste”, diz o médico-radiologista Dakir Lourenço Duarte. 
O grande salto da Radiologia ocorreu, na década de 70, com o surgimento da tomografia computadorizada – maior avanço até então. A descoberta é de um engenheiro de som da Gravadora EMI – responsável pela comercialização dos discos dos Beatles. Após a descoberta, foi instalado o primeiro protótipo do aparelho no Hospital de Massachussets, no Estados Unidos. No Brasil o equipamento pioneiro foi para a Santa Casa do Rio de Janeiro, o segundo para a Beneficiência Portuguesa de São Paulo e o terceiro para a Serdil. No mesmo período, uma equipe de profissionais preocupados em desenvolver programa de educação continuada para o próprio grupo, além de utilizar a experiência para treinamento de colegas e reciclagem dos mesmos, criou o Centro de Estudos Saint Pastous – homenageando o grande incentivador da radiologia no Rio Grande do Sul, o médico e professor Antônio Saint Pastous de Freitas.

Vera Saint Pastous Nocchi e Ilza Saint Pastous Madureira, filhas do professor Antônio Saint Pastous de Freitas, 
que dá nome à FSP, em visita à diretora Vera Duarte e ao diretor-presidente 
Dr. Dakir Duarte, em 19 de dezembro. (da esq. p/ dir.)
Especial Saber & Saúde

 “Há coincidências entre a criação da FSP e os importantes avanços da Radiologia”, diz o presidente Dakir. Uma das primeiras conferências, realizadas pelo Centro, foi sobre tomografia computadorizada. Na década de 80 outro passo relevante foi dado com o surgi­mento da ressonância magnética. “O osso se tornou transparente com a ressonância”, explica.
Passados dez anos, o centrou passou a ser uma fundação, oferecendo o curso de Técnico em Radiologia. Hoje, são ministradas aulas nos diversas áreas da radiologia e em alguns setores da saúde. Um dos destaques da FSP é o curso de Radiologia da mama, direciona­do para médicos especializados na área da mama, radiologistas, mastologistas e ginecologistas. De acordo com Dr. Dakir, o curso é o único com esse perfil nas Américas, devi­do ao aprofundamento dos conteúdos. Ele considera importante a função da FSP. “Na medida em que se amplia o leque de conhecimento humano, requer-se mais ensino e trabalho”, justifica. 

Estágio bem feito é definitivo para a carreira

Após a conclusão do conteúdo teórico do Curso Técnico em Radiologia, o aluno 
está apto a iniciar o estágio curricular obrigatório de 650 horas. “As cerca de 50 instituições conveniadas à FSP, localizadas na Capital e no interior do Estado, recebem o estagiário já consciente de seu papel”, conta a coordenadora de estágios da FSP, Arialda Saionara Nonose.
A preparação do aluno inicia dois meses antes do término das aulas teóricas. As professoras de Psicologia, em conjunto com a coordenadora de estágios, realizam atividades que abordam postura profissional e relacionamento interpessoal, informam sobre o campo de trabalho para a profissão e sobre especialidades das instituições conveniadas.
O estágio é acompanhado por cronograma de visitas, a cargo da supervisora da FSP. “As visitas objetivam atender necessidades individuais do aluno e obter pareceres do seu desenvolvimento no local em que está atuando”, explica Saionara. A FSP realiza reuniões bimestrais de avaliação com o grupo de estagiários, de maneira que troquem experiências vivenciadas e recebam novas orientações. Nessas ocasiões, são entregues relatórios e fichas de avaliação preenchidas pelos supervisores dos hospitais e clínicas. E os resultados aparecem. “Muitos de nossos alunos são convidados a permanecer como funcionários”, comemora a diretora, profa. Vera Lucia Dias Duarte.

Falar bem faz a diferença

Estamos acostumados a cuidar da aparência, da apresentação pessoal, dispensando atenção especial 
à roupa e ao corpo. A partir do momento em que acordamos, seguimos um ritual diário com nossa higiene, tratamos do visual, para só então, darmos início a nossa coesão social. Algo que deveria fazer parte desse ritual é o cuidado que devemos ter com a língua, com o que falamos. Ao contrário dos hábitos que nos são incutidos, a linguagem é pouco valorizada pois não nos ensinam que devemos cuidar da expressão verbal, que a utilização do sistema lingüístico correto não se restringe apenas à comunicação, mas desempenha também a função de um cartão de visitas da nossa pessoa. Ao contrário da beleza estética, que caracteriza a primeira impressão, a linguagem empregada definirá a imagem que se estabelecerá como permanente. Esta será o cartão que nos abrirá, ou fechará, portas. É significativa a impressão momentânea que a linguagem estabelece, e o que está veiculado por meio dela. Além de servir como elemento para expressar nossos pensamentos, a linguagem serve para demonstrar o quanto nossa capacidade mental de reflexão é aprofundada, uma vez que a manifestação do pensamento está diretamente condicionada à sua realização concreta.

Sirlei Schwantes Mucke
Profa. de língua portuguesa na FSP

Espaço Aberto

Queridos professores.
Neste momento final do curso, faltam palavras para agradecermos seus ensinamentos. Cada um de vocês ficará gravado em nossas memórias, nas páginas do tempo. Cada um com seu jeito especial de ser. Vocês nos ensinaram que, para ser um bom profissional, o essencial não é somente a técnica, mas sim sabermos o verdadeiro significado de nossa nova missão. Tenham certeza de que tudo valeu a pena e que nós sentimos orgulho de termos sido seus alunos. Os verdadeiros mestres são como vocês: ensinam a seus alunos não só os conhecimentos técnicos. Ensinam as técnicas da valorização do ser humano, técnica que servirá de aradigma para toda a nossa vida.
Por tudo, muito obrigado.

Porto Alegre, 10 janeiro de 2003. 
Turma Tarde “A”, 2001/2003, FSP


Especial Saber & Saúde

Dr. Dakir, e o conselheiro da Fundação Jonathas Bittencourt (ao centro), recebem Certificado de Responsabilidade Social da Assembléia Legislativa das mãos dos deputados estaduais Sérgio Zambiazi (PTB, presidente da AL) e Cezar Busatto (PPS), autor do projeto que instituiu a premiação. 

Ação social mais forte em 2003

As atividades da FSP não se restringem apenas ao ensino, há também preocupação em contribuir em projetos em prol da socie­dade. Tamanha atenção dada às ações sociais renderam, no último ano, o Certificado de Responsabilidade Social, concedido pela Assembléia Legislativa do Estado. De acordo com a diretora, profa. Vera Lucia Dias Duarte, o prêmio é a certificação do que está sendo feito em prol da comunidade. “Nos sentimos estimulados a trabalhar mais para que muitas pessoas vivam melhor”, conta.
Em dezembro, durante Reunião do Conselho de Curadores, foi estabelecido o Plano de Ação So­cial para 2003. A FSP continuará fazendo contribuições mensais para instituições sociais e exames para co­­mu­nidades carentes – solicitados por meio de institui­ções formais, além de participar do subcomitê Qua­lidade de Vida do Idoso, inse­rido no projeto Porto Alegre – Cidade Protetora da Vida, e colaborar para a restauração dos prédios históricos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs). A novidade do ano é a cria­ção do Dia da Solidariedade, no qual a FSP trabalhará um dia inteiro para a melhoria de uma ou mais entidades assistenciais.